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Artigo: Reúso da água: uma realidade necessária

O reaproveitamento é uma alternativa viável para preservação do recurso na atual crise

– A crise de abastecimento provocada pela estiagem em São Paulo levou a sociedade a refletir sobre as alternativas disponíveis para a preservação dos recursos hídricos. Alguns municípios, por exemplo, já sinalizam no sentido de obrigarem indústrias e condomínios a reaproveitarem a água da chuva. O problema é que as chuvas estão cada vez mais escassas. Mas o recurso não precisa necessariamente cair do céu. É preciso olhar para as deficiências que persistem e procurar enxergar, nelas, a oportunidade de ampliar a disponibilidade de água com outras medidas.

Vejamos o caso do esgoto. Segundo dados recentes da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios), o tratamento de esgoto no Brasil avançou, mas está longe do ideal. Temos ainda quase 24 milhões de domicílios no país sem rede de esgoto. Um percentual inaceitável. É preciso investir cada vez mais para diminuir o déficit nessa área, a fim de que, mediante a redução do esgoto despejado in natura nos rios, possamos proteger os mananciais.

Outra alternativa que em breve deverá compor o conjunto de soluções apropriadas para enfrentar a escassez de água é o reúso. Em linhas gerais, define-se a chamada água de reúso como a água que foi reaproveitada após uma utilização primária. Esse reaproveitamento, geralmente parcial, pode assumir volumes consideráveis e contribuir bastante para a redução do consumo de água, principalmente em ambientes industriais e outros em que a potabilidade não é condição fundamental para a sua utilização. Mesmo empresas de pequeno porte, como lavanderias, podem adotar um sistema de reaproveitamento, dependendo da quantidade de água utilizada. Além disso, a água de reúso já é usada na limpeza de calçada e irrigação de áreas verdes.

A tecnologia do reúso é relativamente simples e sustentável; sua aplicação traz inúmeros benefícios e pode ser muito significativa para o cenário atual e futuro. No entanto, ainda é pouco aproveitada pelo mercado brasileiro.

Uma rara exceção é o projeto Aquapolo, que merece destaque não apenas por sua iniciativa pioneira no saneamento, mas também por ser bom exemplo de parceria entre o público e o privado em busca de soluções.

O Aquapolo é uma associação entre a Sabesp e a iniciativa privada que se tornou referência em água de reúso, ao fornecer esse tipo de insumo, produzido a partir de estação de tratamento de esgoto, a uma grande indústria do polo petroquímico do ABC. O projeto já chamou, inclusive, a atenção de observadores e técnicos internacionais.

Reaproveitar a água, enfim, é medida que merece ser incentivada, e está entre as diversas formas que a cooperação entre o público e o privado pode assumir no saneamento. O cenário é propício para essa aproximação, a partir da qual será possível investir em projetos a longo prazo e garantir não apenas o abastecimento de água, mas também a coleta e tratamento de esgoto, como condição essencial para a saúde e o bem-estar da população.

Giuliano Dragone é presidente do Sindcon – Sindicato Conces. Água e Esgoto.

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