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Casos de dengue se tornam mais severos no Brasil

Em março, o Ministério da Saúde divulgou em nota uma redução de 80% dos casos de dengue no País em relação ao mesmo período de 2013. Mas a melhora não se sustentou. No início de abril houve um aumento de 55% no número de casos em São Paulo e a incidência da doença cresceu 42% na comparação com o mesmo período do ano passado. Em Minas Gerais, foram confirmados 8.029 casos e sete mortes pela dengue.

Vale lembrar que em 2013 os casos de transmissão da doença superaram todas as experiências anteriores no Brasil, chegando a dois milhões de casos.

Além do aumento do número da doenças, os casos estão ficando mais graves. Pesquisadores brasileiros que compararam estudos realizados entre 2000 e 2010 mostraram que o número de mortes e a quantidade de hospitalização têm crescido em razão não só da alta incidência da doença, mas também em função da circulação simultânea dos quatro sorotipos de vírus o País. No período analisado foram contabilizados 8,44 milhões de casos – o maior número em todo continente americano -, sendo 221 mil casos graves com mais de 3 mil mortes.

Os autores da pesquisa, batizada de Systematic Literature Search and Analysis, observaram uma distribuição da doença em todas as faixas etárias. Antes mais comum em adultos jovens, a doença passou também a atacar idosos e crianças. Além disso, desde que o sorotipo 4 entrou no País em 2011, a maior parte da população com menos de 30 anos está mais susceptível à doença.

Os pesquisadores apontam que as ações de controle ao mosquito não têm sido eficazes e que a população ainda não tomou consciência do impacto do Aedes aegypti dentro das casas. A falta de uma vacina também agrava a situação.

No Brasil circulam atualmente 4 tipos diferentes da doença. Essa alternância de sorotipo explicaria a razão de as crianças estarem se contaminando mais com o passar dos anos. “Só o grupo que foi exposto anteriormente está imunizado”, explica João Bosco Siqueira Junior, um dos autores do estudo. Para ajudar a entender, uma criança que nasceu em 2010 pode não ter tido contato com o sorotipo 3 já que, nessa época, predominava a circulação do sorotipo 1, por exemplo. No entanto, os adultos de 2002 tiveram esse contato.

Entre as novas tecnologias de combate à doença está a armadilha para o mosquito adulto, que consiste em infectá-lo com uma bactéria não prejudicial para o ser humano, que impede que o Aedes aegypti seja contaminado pelo vírus da dengue. Outra opção é incluir mosquitos geneticamente modificados no ambiente para cruzar com os mosquito comum. Os filhotes dos mosquitos então nasceriam sem asas, diminuindo a quantidade de indivíduos da espécie. Estuda-se também formas de acelerar o processo de diagnóstico da doença.

Fonte: Diário de Pernambuco, 14/04/2014

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