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Custo da energia e menor demanda penalizam indústria de cloro e soda

O jornal DCI divulgou esta semana reportagem sobre a indústria de cloro e soda. Confira a matéria na íntegra:

O setor também tem sofrido com a concorrência dos produtos importados, principalmente dos Estados Unidos, que têm custo de produção mais baixo porque produzem a partir do shale gas

O ano de 2014 foi frustrante para a indústria de cloro e soda cáustica e as perspectivas para este ano estão longe de animar os empresários. Entre os entraves para o setor estão o avanço do preço da energia e a desaceleração da economia.

“Os resultados do setor no ano passado frustraram as expectativas iniciais e ficaram muito próximos aos de 2013 que já foi um ano fraco. A energia aumentou o custo de produção e o baixo crescimento da economia reduziu a demanda”, afirmou o diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Álcalis, Cloro e Derivados (Abiclor), Martim Penna.

A energia elétrica é o principal componente de custo de produção do setor, representando 46% dos gastos operacionais. Estudo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) revelou que o custo médio da energia elétrica para as indústrias de cloro e soda cáustica no Brasil subiu cerca de 130% em dólar entre 2003 e 2013.

O aumento no custo ocorreu mesmo com uma redução do consumo. A indústria de cloro demandou 10% menos energia elétrica em 2013 do que em 2003. O consumo específico foi reduzido de 3,6 megawatt-hora por tonelada para 3,2 MWh/t no período.

As perspectivas do preço da energia indicam que o preço deve seguir em alta em 2015. O setor é particularmente sensível ao preço da energia porque é o terceiro maior consumidor da indústria brasileira. “Há questões relacionadas a preço e à qualidade do fornecimento de energia. Enquanto houver incertezas, como quem vai pagar a conta do setor elétrico, e falta de previsibilidade, haverá menos investimento”, afirmou o diretor da Abiclor.

Para além de questão do preço da energia, o setor também está preocupado com o crescimento da economia. O diretor de relações com investidores da Unipar CarboCloro, André Pinheiro Velloso, afirmou que a companhia está com seus planos de expansão suspensos devido às inseguranças com o crescimento da economia brasileira.

“Nossos projetos de expansão suspensos. As constantes reduções das expectativas de crescimento do PIB levaram a um momento psicológico negativo, não se vislumbrando medidas de curto prazo que pudessem mudar o cenário existente de forma efetiva”.

O cloro e a soda abastecem mais de 16 setores da atividade econômica. Os produtos atendem à demanda de diferentes segmentos das indústrias de defensivos agrícolas, limpeza, papel e celulose metalurgia, têxtil, tratamento de água, entre outras. Dessa forma, a indústria é dependente do crescimento das demais.

Importação

O setor também tem sofrido com a concorrência dos produtos importados, em especial, das empresas norte-americanas que tem um custo mais baixo porque produzem a partir do shale gas. Segundo Velloso, o volume de produção, especialmente de soda cáustica, nos Estados Unidos foi grande e a oferta foi escoada para mercados como o brasileiro.

“O volume elevado de produção nos Estados Unidos trouxe uma maior oferta de soda e um desequilíbrio na relação de oferta e demanda. Diante disso, os preços no mercado externo e interno foram afetados negativamente”, afirmou.

“Com a vantagem competitiva adquirida pelo advento shale gas, os mercados de exportação tornaram-se um importante canal para escoar a produção excedente do mercado americano”, completou.

Dados da Abiclor apontam que a importação de soda cáustica entre janeiro e outubro do ano passado foi de 986.038 toneladas, alta de 12,4% em relação ao mesmo período de 2013. A produção das empresas brasileiras somou 1.142.907 toneladas entre janeiro de outubro do ano passado, queda de 1,1% em relação ao ano anterior. Outro problema que afetou a segmento de cloro no ano passado foi a menor demanda da indústria química. O cloro é uma das principais matérias-primas para o setor.

“Nós somos grandes fornecedores para a indústria química e ela cresceu pouco, tanto em 2013 quanto em 2014. Isso afeta diretamente a demanda do nosso setor”, afirmou Penna.

As paradas programadas foram outro fator que limitaram o crescimento. Segundo diretor executivo da Abiclor, as paralisações para manutenção de algumas fábricas foram maiores que o normal em 2014, principalmente no segundo semestre do ano passado.

A taxa média de utilização da capacidade instalada da indústria atingiu 83,1%, ainda distante da média histórica do setor, que é de 87%. Em relação a janeiro-outubro do ano passado, a taxa de utilização da capacidade instalada recuou 0,5 ponto percentual”.

Fonte: DCI, 08/01/2015

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