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Escassez de água preocupa mais do que mudanças climáticas

O problema da escassez de água é muito mais urgente do que o aquecimento global, segundo o presidente do conselho de administração (chairman) da Nestlé, Peter Brabeck. Em reportagem ao Financial Times, traduzida pelo jornal Valor Econômico, ele alertou a gravidade do problema. “ Não estou dizendo que as mudanças climáticas não sejam importantes.  Estou dizendo é que as mudanças climáticas à parte, estamos ficando sem água e isso precisa ser a maior prioridade”, declarou o chairman de uma das maiores empresas de alimentos do mundo.

A declaração de Brabeck ocorre num momento em que as grandes empresas estão precisando adaptar os custos crescentes da água em todas as partes do mundo e também aumentam as rivalidades por conta de mananciais mal administrados. Para Brabeck, é errado culpar o aquecimento global pela escassez.  “Temos uma crise de água porque tomamos decisões erradas no gerenciamento da água”.

Uma pesquisa do Financial Times e dados da companhia de análises de mercado Global Water Intelligence mostram que nos últimos três anos as empresas investiram U$ 84 bilhões em melhoria, conservação, gerenciamento ou obtenção de água.

A reportagem do Valor econômico também menciona que a Nestlé separou 38 milhões de francos suíços (US$ 42,5 milhões) para novos equipamentos e economia e tratamento de água em suas fábricas.

Em 2013, por exemplo, a BHP Biliton e a Rio Tinto, duas grandes mineradoras, aplicaram US$ 3 bilhões em uma unidade de dessanilização para uma mina de cobre no Chile, diminuindo o uso dos mananciais da região. Empresas como Ford e Google reduziram o uso de água. A Coca Cola e suas engarrafadoras vêm gastando U$ 2 bilhões em medidas para conservar água desde 2003.

Já a companhia de energia EDF dispendeu 20 milhões de euros para desviar um túnel de captação de um projeto hidrelétrico nos Alpes franceses, porque a geleria que alimenta a usina com água derretida encolheu.

As políticas para a água também são voláteis.  Tanto o executivo como a Nestlé vêm recebendo críticas por causa dos negócios da empresa com água engarrafada, o que os ativistas veem como um esforço para privatizar o acesso à água potável, um direito básico da humanidade.

Montadoras, geradoras de energia e mineradoras também têm enfrentado protestos,  principalmente nas áreas onde os agricultores, os maiores usuários de água do mundo, se deparam com suprimentos menores.

 

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