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Estudo mostra que custo da energia dobra para produtor de cloro-soda

 O custo da energia elétrica para a indústria brasileira de cloro-soda mais que dobrou nos últimos dez anos, atingindo valores em dólar comparáveis aos praticados em determinadas regiões da Europa, a despeito de a geração de energia no Brasil, que é predominantemente hídrica, ser mais barata do que a termelétrica ou a nuclear.  

 Esse aumento, de 132% segundo estudo feito pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) a pedido da Associação Brasileira da Indústria de Álcalis, Cloro e Derivados (Abiclor), teve efeitos negativos na produção desses insumos, que registrou média anual de crescimento bem abaixo do Produto Interno Bruto (PIB)  desde 2003.

Além disso, o contínuo aumento das despesas com energia levou a uma forte redução dos investimentos em expansão pela indústria de cloro-soda, que, junto com os setores de alumínio e ferroligas, forma o grupo das três indústrias mais eletrointensivas no país.

 Em 2014, nenhuma das associadas tem em curso projetos de ampliação de capacidade, informou o presidente da Abiclor, Anibal do Vale, em entrevista ao jornal Valor Econômico. Principal componente de custo de produção do setor, a energia elétrica representa 46% do custo operacional, mostra o estudo da Fipe. “Há questões relacionadas a preço e à qualidade do fornecimento de energia. Enquanto houver incertezas, como quem vai pagar a conta do setor elétrico, e falta de previsibilidade, haverá menos investimento”, afirmou o presidente da Abiclor ao Valor.

 Uma redução de 30% do custo da energia elétrica, porém, mais que dobraria o PIB do segmento em 20 anos, de R$ 1,1 bilhão em 2013 para R$ 2,6 bilhões por ano em 2033, e poderia desengavetar projetos de investimento.

 Ainda de acordo com o estudo da Fipe, o custo elevado da energia inibiu novos projetos justamente em um momento em que o Brasil deveria contar com empreendimentos para cumprir a meta de universalização do saneamento básico até 2033 – com a expansão da rede de distribuição de água e tratamento de esgoto, haverá necessidade de mais materiais que usam clorode forma intensiva e do próprio químico, que é usado no tratamento da água para consumo humano.

 Outro efeito colateral da perda de competitividade da indústria nacional de cloro-soda foi o aumento das importações. Desde 2003,  são crescentes as compras externas de transformados e outros produtos a base de cloro, com aceleração dessa tendência nos últimos anos.

Em 2010, o consumo de clorocomo matéria-prima e de produtos finais e intermediários contendo o químico demandou 58% da produção nacional. Em 2013, diante do avanço das importações, essa participação caiu a 47%.

 Fonte: Valor Econômico,  09/10/2014

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